domingo, 3 de julho de 2011

Conforme prometido, segue poesia publicada no volume 17 do Poeta de Gaveta!

Promessas
 
Esta noite eu parei para admirar luzes no céu
Sentei ao pé de uma árvore para me perder
Em pensamentos e em finitas fantasias
Distante de sua voz e de suas promessas
Longe o bastante para ser eu mesmo
 
Meus olhos refletiram o clarão da lua
Trazendo-me de volta arrependimentos
Sofri sozinho, suportei sentimentos
Por acreditar no que parecia ser certo
Mas o tempo me chama
E eu não quero dividir idealizações
 
Perdoe-me por não ter dormido esta noite
Por não partilhar dos mesmos sonhos
Perdoe-me pela falta de justificativas
Eu precisei por um instante ser real
Não tão bom para ser diferente
Mas bom o suficiente para não me trair
 
Eu precisei apreender uma nova perspectiva
Deixar-me levar pela tranqüilidade do vento
Compondo formas para me livrar dos vícios
Eu quis me elevar desse plano silencioso
Atingir altitudes acima das conhecidas
Sentir-me pronto para reaprender a viver

Perdoe-me por não ter feito o que era possível
Por chegar tarde e não partilhar de suas escolhas
Perdoe-me por ser indiferente aos seus pedidos
Mas acredite, foi realmente preciso
Buscar o que eu havia perdido
Para me reencontrar dentro de mim
 
Perdoe-me, mas eu dispensarei suas promessas
Dizendo o adeus que só a coragem pode dizer
Sentirei pelo dito e pelos poemas declamados
Mas eu nunca estive realmente nesse espaço
E nada além de nós é tão nítido quanto o fim

Cleiton Assis