domingo, 3 de julho de 2011

Conforme prometido, segue poesia publicada no volume 17 do Poeta de Gaveta!

Promessas
 
Esta noite eu parei para admirar luzes no céu
Sentei ao pé de uma árvore para me perder
Em pensamentos e em finitas fantasias
Distante de sua voz e de suas promessas
Longe o bastante para ser eu mesmo
 
Meus olhos refletiram o clarão da lua
Trazendo-me de volta arrependimentos
Sofri sozinho, suportei sentimentos
Por acreditar no que parecia ser certo
Mas o tempo me chama
E eu não quero dividir idealizações
 
Perdoe-me por não ter dormido esta noite
Por não partilhar dos mesmos sonhos
Perdoe-me pela falta de justificativas
Eu precisei por um instante ser real
Não tão bom para ser diferente
Mas bom o suficiente para não me trair
 
Eu precisei apreender uma nova perspectiva
Deixar-me levar pela tranqüilidade do vento
Compondo formas para me livrar dos vícios
Eu quis me elevar desse plano silencioso
Atingir altitudes acima das conhecidas
Sentir-me pronto para reaprender a viver

Perdoe-me por não ter feito o que era possível
Por chegar tarde e não partilhar de suas escolhas
Perdoe-me por ser indiferente aos seus pedidos
Mas acredite, foi realmente preciso
Buscar o que eu havia perdido
Para me reencontrar dentro de mim
 
Perdoe-me, mas eu dispensarei suas promessas
Dizendo o adeus que só a coragem pode dizer
Sentirei pelo dito e pelos poemas declamados
Mas eu nunca estive realmente nesse espaço
E nada além de nós é tão nítido quanto o fim

Cleiton Assis

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Lançamento do Volume 17 do Poeta de Gaveta

Segue anúncio referente ao lançamento do livro, o qual sou um dos autores. Caso estejam por perto, por favor, compareçam e prestigiem este evento. Obrigado!PDFImprimirE-mail
Assessoria de Comunicação
17-Jun-2011

A Seção de Atividades Culturais de Ribeirão Preto convida para o lançamento do Volume 17 do Poeta de Gaveta. A coletânea traz 30 trabalhos entre poemas e prosas escritos por funcionários, docentes e alunos dos campi do interior da USP.
O evento acontecerá na segunda-feira, dia 27, às 19h30, no Theatro Pedro II. Às 20h30, terá uma apresentação da USP Filarmônica, orquestra sinfônica acadêmica do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. A orquestra tem como professor responsável o Maestro Rubens Ricciardi e conta com apoio artístico do Maestro José Gustavo Julião de Camargo. O repertório será composto por músicas do século XXI.

O Theatro Pedro II fica na Rua Alvares Cabral, 370, em Ribeirão Preto.

sábado, 7 de maio de 2011

Evolução

As miragens me levam a lugares longínquos
Acho que é tarde para uma despedida
Deixe o dia recomeçar com novas promessas
Para atrair um sorriso ou uma inspiração
Se nos permitir guiar pelos sentimentos
Será real enquanto continuar um aprendiz
Aprendendo esta arte única que é viver

Fleches recordam momentos que se foram
Perto da verdade acreditávamos estar
Sonhos passados remontam a imaginação
Enquanto é permitido se sentir livre
Mesmo com partes de um coração partido

Você verá algo mais quando olhar minha face
Ao desafiar os instintos e se tornar melhor
Crescer entre as flores e se molhar com chuva
Descobrir o que se esconde além do horizonte
Fazer viver o desenho da alegria de outrora

Siga a direção do movimento das águas
Dois pólos distintos se farão um sentido
Ainda que nada possa ser compreendido
Navegue pelos mares dos pensamentos
E configure outra dimensão para a vida

Atrás de cada palavra e em cada suspiro
Nós viajantes obstinados pelos sinais
Somente mais um segundo na eternidade
Reveja o nosso trajeto pelas constelações
O meu caminho seguirá paralelo ao seu
E no final será repetido o nosso encontro

Distantes e em universos diferentes
Na constante evolução do cosmos...
Imaculados pela insurgência da natureza
Sem mais destinos... Sem mais deveres...
O que nos guia e nos une e quem somos
A chama para abrir infinitas chances
E tudo se faz com um simples abraço!

Cleiton Assis
Lazarus (Um Ato Divino de Recriação) - 2011

sábado, 2 de abril de 2011

Um encontro com as estrelas

Eu espero pelo brilho das luzes de ontem
As intensas ondas de mistérios consomem
Os restos de uma frágil nulidade
No espetáculo perco a identidade
Uma chuva de estrelas cadentes incide
Sobre as idéias de uma mente sem limites

Um encontro com minhas outras faces
Meus olhos refletem o despontar das estrelas
Numa noite de sombras transitando a imensidão
De um palco para poucos e livres artistas
Sonhando em redesenhar figuras no céu

Um encontro com um universo sem fim
As possibilidades estendem-se para além de nós
O sagrado e o profano batalham por nossas vidas
Nesse mundo de contrastes somos malabaristas
Equilibrando uma grande vontade de viver

Eu espero cometas cruzarem a imaginação
Recriando conceitos, reformulando a criação
Trago comigo algumas esperanças
Ando lado a lado com a perseverança
Segredos longínquos atravessam meu ser
Reformulando minha maneira de aprender

Um encontro com meu pálido reflexo
Minhas mãos sentem o poder dos astros
Uma luz distante ilumina uma futura transição
Entre modelos do passado e do presente
Alvorecendo num desejo latente de transcender

Um encontro com a grandeza do espaço
A chama reluz na luta para estarmos em nós
Os paradoxos alimentam uma guerra de causas
Somos crianças com a liberdade da inocência
Brincando felizes em campos minados

Eu espero pelos dias de glória e nostalgia
Eu sonho em realizar todas as fantasias
Busco em nós uma verdade passageira
Procuro por mensagens escritas na areia
O oculto revela-se diante da insistência
De olhos atentos à rápida transparência

Cleiton Assis
Épura - 2008

sábado, 19 de março de 2011

2012

O céu surge vermelho esta manhã
Sinto ser a cor dos tempos que terminam
Ou que recomeçam para iniciar uma nova era
Um passo pode determinar onde estaremos
Ou onde teremos uma chance de mudar
Enquanto tudo estiver acabando
A terra se abrindo e as estrelas caindo

Um sinal vindo do centro da via láctea
O planeta parece orbitar um sol diferente
Estamos caminhando até o fim dos dias
Ou regenerando vales mortos na existência
Ou chorando lágrimas de sangue
Ou exclamando pedidos de perdão

Seja rápida e pegue minha mão para nos salvar
Basta apenas alçar um vôo. Seremos o universo
Seremos nós mesmos, e seremos todas as coisas
Foi somente o que pedi para viver a última vida

Eu posso não expressar todos os sentimentos
Mas não preciso saber sobre tantas emoções
Pretendo assistir outros episódios da criação
E ver como os planos ganham projeção
Ou como se perde os sentidos sem perceber
Trilhar ciclos e mais ciclos em busca de respostas
Antes de me converter em parte do cosmos

A poeira esconde a lua na derradeira noite
Cinzas preenchem o vazio da mente
Agora estamos em um alinhamento preciso
Perto demais do que não compreendemos
E ainda mais distantes do que era real
Ou lúdico para uma criança inocente
Ou fantástico para um poeta inspirado
Ou a satisfação que tanto nos faltava

Seja rápida e pegue minha mão para nos salvar
Basta apenas alçar um vôo. Seremos o universo
Seremos nós mesmos, e seremos todas as coisas
Foi somente o que pedi antes do último dos dias

Sorria perante o desfecho do inusitado amanhã
Lá estaremos enquanto uma chama brilhar
E irradiar o calor de estrelas em rota de colisão
Vamos conquistar o destino que se anuncia
E que precedeu as palavras sendo professadas
Ou apenas pegue minha mão... E voe comigo!

Cleiton Assis
Lazarus - Um Ato Divino de Recriação

quarta-feira, 2 de março de 2011

Livro Poeta de Gaveta!!

A poesia "Promessas" de minha autoria foi classificada junto a outros 30 textos, em um concurso que contou com mais de 500 textos inscritos, para compor o livro do 17° Poeta de Gaveta promovido pela Universidade de São Paulo (USP). É com muita alegria que lhes trago esta notícia. Eu gostaria de compartilhar este momento com todos aqueles que incentivaram meu trabalho e participam da minha vida acessando este blog ou lendo os livros que já escrevi. Em breve postarei a poesia classificada! Para acessar a classificação do concurso clique no link: http://www.ccrp.usp.br/cultura/TEXTOS/POETA%20DE%20GAVETA%20SELECIONADOS.pdf. Um abraço a todos e muito obrigado!! 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Marca das Águas

No breve retorno de seus gestos afáveis
Um sonho mágico das minhas noites
Por onde estiveram as minhas chances
No entardecer eu ouvi suas reflexões
Sobre expoentes que eu não estimo
Mas que fazem parte do meu sentimento

Por um tom de razões que me conforte
Eu despertei com os abalos de sua voz
Chamando-me para voltar à realidade
Enquanto tento me aproximar do amor
Nessas suas ondas de compreensão
Até a marca das águas se forem na maré

No reconcilio de suas palavras afáveis
Uma fantasia que me vem nas noites
Por onde eu caminhei todo esse tempo
No amanhecer eu ouvi suas locuções
Sobre condições que eu não estimo
Mas que traduzem esse meu sentimento

Por um som ecoado para o meu amparo
Eu me regenerei com os ecos de sua voz
Libertando-me para viver em harmonia
Enquanto tento gerar motivos para amar
Nessas suas ondas de tranqüilidade
Até a marca das águas retornarem a mim

E enquanto eu viver com seu toque afável
Uma vida destinada a uma renovação
Por onde irradiar minha maior esperança
Na contagem imprecisa do nosso tempo
Expondo sensações que eu não estimo
Mas que multiplicam esse meu sentimento

Cleiton Assis
Poesia da Extinção - 2009

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Insano (por Joana M.)

Porque eu sempre fui um pouco meio assim, desordenada, meio latina romântica dessas que colocam a alma como desculpa pela falta de lógica.
Eu sempre fui metade.

Desejei com todo meu coração entender como o amor acontece, alquimista, fiz ensaios e acabei por perder tempo e giz naquelas fórmulas e equações que eu vinha traçando.
Apenas erros.
Não que eu quisesse deixar tudo bonito e regradinho, que nem gosto mesmo de coisa assim, só queria encontrar um caminho, uma expressão exata, que me dissesse o espelho e dona de mim fizesse até chegar perto por onde seu coração seu escondia.
Mas meu erro era banal, um erro primário. Não era bem seu coração que se escondia.

Sabe, eu me esquivei do significado do desistir, quando tudo isso começou eu só pensava que uma hora, a qualquer momento, uma dessas coisas que eu fizesse traria pra mim um amor daquele de sonho acordado, mas não foi assim.
Acordei hoje, tão sozinha, nem o amor pelo amor que eu sentia mais eu tinha, e as paredes todas rabiscadas com números e símbolos que eu não entendia, rimas soltas, futilidades.
Deixei muita coisa passar nesse meio tempo, no meio fio de esperança que eu me agarrei e era tão frágil como uma teia esquecida por aí.

Eu cuidei pra que não quebrasse, cuidei tanto de você e tola, pensei que um dia, meu desejo fosse materializar-se e eu te encontraria, quem sabe mesmo em um sonho onde temos poderes, e você acordaria em fogo, cantante, com o coração cheio de vida.
A fórmula estava errada o tempo todo, nada dali pode se materializar, nenhuma asa que eu construa irá transpor esses muros, ou a tempestade de fogo que ameaça aparecer o tempo todo.

Não existem fórmulas, e não me engane mais quando diz que não existem coincidências.
Cala a boca coração estúpido, fica quieto no seu canto.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Outros Poemas

Vislumbrei o sonho crescente
Disse adeus ao mundo decadente
Procurei em cada lado uma perfeição
Pura falta, falta de atenção
Acompanhei os passos da vida
Atrás de mil razões perdidas

Não sabíamos escrever
Não sabíamos falar
Hoje temos a palavra certa
Escreveremos outros poemas

Acreditei em deuses e ilusões
Vi miragens, alucinações
Parte de uma história incompleta
O meu destino, a hora incerta
A fantasia criando fascinação
Desejos, inspiração, a redenção

Éramos poetas sem versos
Éramos poetas imperfeitos
Hoje temos a rima certa
Escreveremos outros poemas

Antes de perder a imaginação
Antes de perder a inspiração
Voltaremos aos poemas silenciados
Escreveremos o que não está acabado
O que fomos em cada momento
O que seremos em cada tempo

Cleiton Assis
Folhas de Outono - 2005

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um Dia Para Ser Eterno

Fui de encontro ao prado
Vi de perto o monte sagrado
Do alto contemplei a vida
Obra da criação divina
Meu refugio das tristezas
Meu amparo é a natureza

Ouço o canto dos pássaros
Acompanhando ritos sacros
Contemplo o campo celestial
Isto sim parece ser real
Meu canto de reflexão
Meu pequeno pedaço de chão

O orvalho regou minha terra
Faço de conta que posso voar
O vento soprou forte na manhã
Quero viver mais um dia

Acima das nuvens a beleza
Esta é minha única certeza
Uma esperança compartilhada
Uma música de serenata
Meu esconderijo secreto
Meu cerco de mistério

Até onde consigo enxergar
No lugar onde possa estar
Um século esquecido
Um loquaz enlouquecido
Meu local protegido
Meu silêncio amigo

O relâmpago iluminou a noite
Faço de conta que posso voar
O céu revelou as estrelas
Quero viver mais um dia

Encontrei-me com a esperança
(E ela quis que fosse assim)
Minhas lágrimas pararam de cair
(Ela fez parar a tempestade)
Quero viver mais um dia
Um dia a mais para ser eterno
Cleiton Assis
20 Anos no Claustro - 2003

sábado, 29 de janeiro de 2011

Astronautas

Estrelas nascem no anoitecer para transcender
As linhas que me separam do restante do universo
Esta noite torno-me uma extensão do espaço
Elevado ao status de eterno (sonhos de liberdade)
Socorrendo a verdadeira pureza, findando dogmas
A minha vida vai de choque à explosão primordial

Sonhando com o despontar de outras idéias
Sentindo o pulsar em sintonia com os astros
Eu liberto meu coração
Para conquistar ares além da imaginação
E além de todas as coisas falíveis e infalíveis

Mandem-me uma saudação, astronautas
Eu prometo responder após o amanhecer
Tragam-me um fragmento maior do céu
E eu prometo não padecer como esperado

Mandem-me um sinal, astronautas
Eu prometo responder na mesma freqüência
Também quero fazer parte dessa história
Eu prometo oferecer a minha melhor arte

Cometas cruzam a grandeza dessa noite
O limiar de uma nova era chega até nós
O brilho das luzes do passado ilumina
O despertar da mais fantástica idealização
Renasce a glória e os verdadeiros heróis
Para testemunhar uma retomada de valores

Agora me acenem um adeus, astronautas
Espero um dia partilhar de toda essa nostalgia
Levem uma mensagem para o desconhecido
E retornem a mim com respostas do infinito

Cleiton Assis
Reflexões do Claustro - 2007

sábado, 22 de janeiro de 2011

Meu Viés

A cor azul do céu foi necessária para reanimar meus ânimos
Enquanto os contrastes das minhas cores iam desaparecendo
Uma tímida figura de meus tempos passados se representava
Em sonhos cujos pesadelos vinham por interrupção
Eu quis ser livre para viajar pelas estrelas que nunca alcanço
Pelo bem estar da paz que se revigora para me fazer renascer

A cor azul das águas foi necessária para repor minhas ilusões
Em alusão ao mundo colorido ao qual assisti perder as cores
A precisão do objetivo dessas linhas está ininterrupta
Pois ainda será sábio retocar a parte eqüidistante do meu eu
Quando o suspiro em meio ao silêncio render-me uma poesia
Eu fui meu algoz para não me limitar em ser apenas mais um

Abrem-se as janelas e um pôr-do-sol destaca-se no horizonte
No horizonte aparente de minhas visões de mundo
Em meu viés, fiel às emoções que ainda mantenho
Abrem-se as portas e a claridade adentra pela minha alma
Como só por um milagre ouvimos um belo canto dos anjos
Assim como eu dizia me recordar algumas outras infinidades
Desse meu universo e dessas linhas que se encontram no final

Estando sob as ondas, num constante ritmo de transformação
O mestre do saber intercede pelas tréguas em minhas guerras
Um intenso tráfego de inspiração permanece em meu interior
Então me dê um sonho qualquer e lhe direi que ele é possível
Escreva agora uma carta oculta e desvendarei suas palavras
Enquanto eu for o único a acreditar no que poderá acontecer

Cleiton Assis
Metaestados - 2010

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Sinfonia dos Anjos


Sinta a intensidade do silêncio antes do fim da noite
Transmitindo a imagem reluzente de astros noturnos
Compondo harmonias em sagradas e raras devoções
Apagando rastros no ponto de onde iniciou a partida
Os gestos simbolizam a paz de espírito remanescente
Florescente na audaz libertinagem das almas cativas

Por um século ameno e pelas vastas altitudes do céu
Num brilho que revoga pressentimentos inavistáveis
As linhas cortam planos celestes em clara evidência
Predizendo palavras geradoras de grande coragem

As circunstâncias estão contraditórias... O tempo passou!
As paredes sem as pinturas de ontem... O mundo mudou!
Nada se mantêm o mesmo e as vidas alertaram o esperado
Somos nós a chama viva que incendeia estes dias passados
Estamos preservados em relicários, para futuros distantes

O ritmo dos arcodes solenes desperta o grito libertador
Insinuando atos providenciais para transcender a vida
O tempo conspira e as cartas revelam a verdade oculta
Os mestres do universo expandem eternos movimentos

As reminiscências ascendem com nítidas aparências
Consagrando estas lembranças outrora esclarecidas
O mundo conspira e a lua testemunha outra vertente
O divino e o profano emergem das vistas da realidade

Antecipamos o espetáculo da criação... A vida é sagaz!
Os corredores perdem os extremos... A luz serpenteia!
Nada está além destes espaços instáveis para se viver
Emana de nós o livre arbítrio que equilibra a natureza
Estamos em estado de vigília, esperando por um sinal

Ouça a melodia etérea que se esvai com o amanhecer
Envolvente como o dom máximo de adentrar dimensões
Mundos paralelos muito além das concepções visíveis
A sinfonia dos anjos intercede notas para a existência
Celebrando contemplações superiores em compreensão
Efervescente como um bem que se retransmite sem voz
Cleiton Assis
Passado, Presente e Futuro - 2008

sábado, 8 de janeiro de 2011

Papillon


É só um leve movimento teu, um pequeno balanço
Das suas asas douradas de borboleta
Agora vejo o tornado que aqui será
Transformando o mundo no qual eu habito
E que criei para ser único e para ser seu

Faça apenas um movimento,
Daqueles que você nem mesmo faz por querer
Como se ausentar, como virá aparecer?
Sem avisar... senti teus ventos soprarem
E toda tua ação incerta, intenção indireta
Mas ainda assim uma razão para acreditar...

É a tua aura ansiosa, com pressa de viver tudo agora
Porque sabe, sempre soube, ao deixar o casulo
Que não deveria se fechar por muito mais tempo

Talvez não houvesse resquícios de tempo
E indeterminadamente nos foi este tempo
Que para, se acalenta daquele teu movimento
Quando você passa batendo tuas asas
Intensas, douradas
De borboleta, rara natureza
Maior, melhor, tão única...
Joana Mezanini
Cleiton Assis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mistério de Sirius

Até onde posso ouvir o som de seus passos
Ao correr pelas nuvens que viajam pelo ar
Um símbolo das minhas diferenças chegou
Como sinal da conversão dos raios de luz
Em flechas que acertaram os meus sonhos
Agora tenho partes do que será quebrado
Para remontar aquele tempo de felicidade

Não foi nas plêiades que encontrei o seu sorriso
E nem o mistério de Sirius desviou-me a atenção
Um minuto a mais para estar comigo e lhe direi
Como tudo começou nessa infinidade de causas
E no sol estará para brilhar para mim outra vez

Continue a andar por essas estradas até mim
É só um instante em que celebrarei sua vinda
Como em tempos finitos de uma bela história
A única capaz de se elevar acima da emoção
Inspirada para compor cada um dos poemas
Do meu destino e de parcelas da minha vida

Não foi neste caminho que deixei as mensagens
E nem com palavras esculpi aquele meu desejo
Posso acreditar ser livre para dizer o que sinto
Mas sem querer expressar o calor do momento
A alegria pode despertar algumas outras vezes

Tente mirar as estrelas que deixei para você
O céu irá se fechar somente se eu o permitir
As luzes em volta de ti abrem novas chances
O som dos seus passos se repete nos ouvidos
Delatando uma verdade do verso de outrora
Na constante aceleração dos meus segundos

Houve um tempo preciso para a existência
O rápido movimento dos corpos mostrará
Detalhes sobre o presente de nossas vidas
Ao conspirar atos que quebrem as regras
Sendo o norte para futuras formas de agir
Há mais que uma simples vontade de voar
Há um desejo maior por trás das escolhas

Cleiton Assis
Lazarus - Um Ato Divino de Recriação