sábado, 29 de janeiro de 2011

Astronautas

Estrelas nascem no anoitecer para transcender
As linhas que me separam do restante do universo
Esta noite torno-me uma extensão do espaço
Elevado ao status de eterno (sonhos de liberdade)
Socorrendo a verdadeira pureza, findando dogmas
A minha vida vai de choque à explosão primordial

Sonhando com o despontar de outras idéias
Sentindo o pulsar em sintonia com os astros
Eu liberto meu coração
Para conquistar ares além da imaginação
E além de todas as coisas falíveis e infalíveis

Mandem-me uma saudação, astronautas
Eu prometo responder após o amanhecer
Tragam-me um fragmento maior do céu
E eu prometo não padecer como esperado

Mandem-me um sinal, astronautas
Eu prometo responder na mesma freqüência
Também quero fazer parte dessa história
Eu prometo oferecer a minha melhor arte

Cometas cruzam a grandeza dessa noite
O limiar de uma nova era chega até nós
O brilho das luzes do passado ilumina
O despertar da mais fantástica idealização
Renasce a glória e os verdadeiros heróis
Para testemunhar uma retomada de valores

Agora me acenem um adeus, astronautas
Espero um dia partilhar de toda essa nostalgia
Levem uma mensagem para o desconhecido
E retornem a mim com respostas do infinito

Cleiton Assis
Reflexões do Claustro - 2007

sábado, 22 de janeiro de 2011

Meu Viés

A cor azul do céu foi necessária para reanimar meus ânimos
Enquanto os contrastes das minhas cores iam desaparecendo
Uma tímida figura de meus tempos passados se representava
Em sonhos cujos pesadelos vinham por interrupção
Eu quis ser livre para viajar pelas estrelas que nunca alcanço
Pelo bem estar da paz que se revigora para me fazer renascer

A cor azul das águas foi necessária para repor minhas ilusões
Em alusão ao mundo colorido ao qual assisti perder as cores
A precisão do objetivo dessas linhas está ininterrupta
Pois ainda será sábio retocar a parte eqüidistante do meu eu
Quando o suspiro em meio ao silêncio render-me uma poesia
Eu fui meu algoz para não me limitar em ser apenas mais um

Abrem-se as janelas e um pôr-do-sol destaca-se no horizonte
No horizonte aparente de minhas visões de mundo
Em meu viés, fiel às emoções que ainda mantenho
Abrem-se as portas e a claridade adentra pela minha alma
Como só por um milagre ouvimos um belo canto dos anjos
Assim como eu dizia me recordar algumas outras infinidades
Desse meu universo e dessas linhas que se encontram no final

Estando sob as ondas, num constante ritmo de transformação
O mestre do saber intercede pelas tréguas em minhas guerras
Um intenso tráfego de inspiração permanece em meu interior
Então me dê um sonho qualquer e lhe direi que ele é possível
Escreva agora uma carta oculta e desvendarei suas palavras
Enquanto eu for o único a acreditar no que poderá acontecer

Cleiton Assis
Metaestados - 2010

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Sinfonia dos Anjos


Sinta a intensidade do silêncio antes do fim da noite
Transmitindo a imagem reluzente de astros noturnos
Compondo harmonias em sagradas e raras devoções
Apagando rastros no ponto de onde iniciou a partida
Os gestos simbolizam a paz de espírito remanescente
Florescente na audaz libertinagem das almas cativas

Por um século ameno e pelas vastas altitudes do céu
Num brilho que revoga pressentimentos inavistáveis
As linhas cortam planos celestes em clara evidência
Predizendo palavras geradoras de grande coragem

As circunstâncias estão contraditórias... O tempo passou!
As paredes sem as pinturas de ontem... O mundo mudou!
Nada se mantêm o mesmo e as vidas alertaram o esperado
Somos nós a chama viva que incendeia estes dias passados
Estamos preservados em relicários, para futuros distantes

O ritmo dos arcodes solenes desperta o grito libertador
Insinuando atos providenciais para transcender a vida
O tempo conspira e as cartas revelam a verdade oculta
Os mestres do universo expandem eternos movimentos

As reminiscências ascendem com nítidas aparências
Consagrando estas lembranças outrora esclarecidas
O mundo conspira e a lua testemunha outra vertente
O divino e o profano emergem das vistas da realidade

Antecipamos o espetáculo da criação... A vida é sagaz!
Os corredores perdem os extremos... A luz serpenteia!
Nada está além destes espaços instáveis para se viver
Emana de nós o livre arbítrio que equilibra a natureza
Estamos em estado de vigília, esperando por um sinal

Ouça a melodia etérea que se esvai com o amanhecer
Envolvente como o dom máximo de adentrar dimensões
Mundos paralelos muito além das concepções visíveis
A sinfonia dos anjos intercede notas para a existência
Celebrando contemplações superiores em compreensão
Efervescente como um bem que se retransmite sem voz
Cleiton Assis
Passado, Presente e Futuro - 2008

sábado, 8 de janeiro de 2011

Papillon


É só um leve movimento teu, um pequeno balanço
Das suas asas douradas de borboleta
Agora vejo o tornado que aqui será
Transformando o mundo no qual eu habito
E que criei para ser único e para ser seu

Faça apenas um movimento,
Daqueles que você nem mesmo faz por querer
Como se ausentar, como virá aparecer?
Sem avisar... senti teus ventos soprarem
E toda tua ação incerta, intenção indireta
Mas ainda assim uma razão para acreditar...

É a tua aura ansiosa, com pressa de viver tudo agora
Porque sabe, sempre soube, ao deixar o casulo
Que não deveria se fechar por muito mais tempo

Talvez não houvesse resquícios de tempo
E indeterminadamente nos foi este tempo
Que para, se acalenta daquele teu movimento
Quando você passa batendo tuas asas
Intensas, douradas
De borboleta, rara natureza
Maior, melhor, tão única...
Joana Mezanini
Cleiton Assis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mistério de Sirius

Até onde posso ouvir o som de seus passos
Ao correr pelas nuvens que viajam pelo ar
Um símbolo das minhas diferenças chegou
Como sinal da conversão dos raios de luz
Em flechas que acertaram os meus sonhos
Agora tenho partes do que será quebrado
Para remontar aquele tempo de felicidade

Não foi nas plêiades que encontrei o seu sorriso
E nem o mistério de Sirius desviou-me a atenção
Um minuto a mais para estar comigo e lhe direi
Como tudo começou nessa infinidade de causas
E no sol estará para brilhar para mim outra vez

Continue a andar por essas estradas até mim
É só um instante em que celebrarei sua vinda
Como em tempos finitos de uma bela história
A única capaz de se elevar acima da emoção
Inspirada para compor cada um dos poemas
Do meu destino e de parcelas da minha vida

Não foi neste caminho que deixei as mensagens
E nem com palavras esculpi aquele meu desejo
Posso acreditar ser livre para dizer o que sinto
Mas sem querer expressar o calor do momento
A alegria pode despertar algumas outras vezes

Tente mirar as estrelas que deixei para você
O céu irá se fechar somente se eu o permitir
As luzes em volta de ti abrem novas chances
O som dos seus passos se repete nos ouvidos
Delatando uma verdade do verso de outrora
Na constante aceleração dos meus segundos

Houve um tempo preciso para a existência
O rápido movimento dos corpos mostrará
Detalhes sobre o presente de nossas vidas
Ao conspirar atos que quebrem as regras
Sendo o norte para futuras formas de agir
Há mais que uma simples vontade de voar
Há um desejo maior por trás das escolhas

Cleiton Assis
Lazarus - Um Ato Divino de Recriação