sábado, 26 de fevereiro de 2011

Marca das Águas

No breve retorno de seus gestos afáveis
Um sonho mágico das minhas noites
Por onde estiveram as minhas chances
No entardecer eu ouvi suas reflexões
Sobre expoentes que eu não estimo
Mas que fazem parte do meu sentimento

Por um tom de razões que me conforte
Eu despertei com os abalos de sua voz
Chamando-me para voltar à realidade
Enquanto tento me aproximar do amor
Nessas suas ondas de compreensão
Até a marca das águas se forem na maré

No reconcilio de suas palavras afáveis
Uma fantasia que me vem nas noites
Por onde eu caminhei todo esse tempo
No amanhecer eu ouvi suas locuções
Sobre condições que eu não estimo
Mas que traduzem esse meu sentimento

Por um som ecoado para o meu amparo
Eu me regenerei com os ecos de sua voz
Libertando-me para viver em harmonia
Enquanto tento gerar motivos para amar
Nessas suas ondas de tranqüilidade
Até a marca das águas retornarem a mim

E enquanto eu viver com seu toque afável
Uma vida destinada a uma renovação
Por onde irradiar minha maior esperança
Na contagem imprecisa do nosso tempo
Expondo sensações que eu não estimo
Mas que multiplicam esse meu sentimento

Cleiton Assis
Poesia da Extinção - 2009

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Insano (por Joana M.)

Porque eu sempre fui um pouco meio assim, desordenada, meio latina romântica dessas que colocam a alma como desculpa pela falta de lógica.
Eu sempre fui metade.

Desejei com todo meu coração entender como o amor acontece, alquimista, fiz ensaios e acabei por perder tempo e giz naquelas fórmulas e equações que eu vinha traçando.
Apenas erros.
Não que eu quisesse deixar tudo bonito e regradinho, que nem gosto mesmo de coisa assim, só queria encontrar um caminho, uma expressão exata, que me dissesse o espelho e dona de mim fizesse até chegar perto por onde seu coração seu escondia.
Mas meu erro era banal, um erro primário. Não era bem seu coração que se escondia.

Sabe, eu me esquivei do significado do desistir, quando tudo isso começou eu só pensava que uma hora, a qualquer momento, uma dessas coisas que eu fizesse traria pra mim um amor daquele de sonho acordado, mas não foi assim.
Acordei hoje, tão sozinha, nem o amor pelo amor que eu sentia mais eu tinha, e as paredes todas rabiscadas com números e símbolos que eu não entendia, rimas soltas, futilidades.
Deixei muita coisa passar nesse meio tempo, no meio fio de esperança que eu me agarrei e era tão frágil como uma teia esquecida por aí.

Eu cuidei pra que não quebrasse, cuidei tanto de você e tola, pensei que um dia, meu desejo fosse materializar-se e eu te encontraria, quem sabe mesmo em um sonho onde temos poderes, e você acordaria em fogo, cantante, com o coração cheio de vida.
A fórmula estava errada o tempo todo, nada dali pode se materializar, nenhuma asa que eu construa irá transpor esses muros, ou a tempestade de fogo que ameaça aparecer o tempo todo.

Não existem fórmulas, e não me engane mais quando diz que não existem coincidências.
Cala a boca coração estúpido, fica quieto no seu canto.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Outros Poemas

Vislumbrei o sonho crescente
Disse adeus ao mundo decadente
Procurei em cada lado uma perfeição
Pura falta, falta de atenção
Acompanhei os passos da vida
Atrás de mil razões perdidas

Não sabíamos escrever
Não sabíamos falar
Hoje temos a palavra certa
Escreveremos outros poemas

Acreditei em deuses e ilusões
Vi miragens, alucinações
Parte de uma história incompleta
O meu destino, a hora incerta
A fantasia criando fascinação
Desejos, inspiração, a redenção

Éramos poetas sem versos
Éramos poetas imperfeitos
Hoje temos a rima certa
Escreveremos outros poemas

Antes de perder a imaginação
Antes de perder a inspiração
Voltaremos aos poemas silenciados
Escreveremos o que não está acabado
O que fomos em cada momento
O que seremos em cada tempo

Cleiton Assis
Folhas de Outono - 2005

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um Dia Para Ser Eterno

Fui de encontro ao prado
Vi de perto o monte sagrado
Do alto contemplei a vida
Obra da criação divina
Meu refugio das tristezas
Meu amparo é a natureza

Ouço o canto dos pássaros
Acompanhando ritos sacros
Contemplo o campo celestial
Isto sim parece ser real
Meu canto de reflexão
Meu pequeno pedaço de chão

O orvalho regou minha terra
Faço de conta que posso voar
O vento soprou forte na manhã
Quero viver mais um dia

Acima das nuvens a beleza
Esta é minha única certeza
Uma esperança compartilhada
Uma música de serenata
Meu esconderijo secreto
Meu cerco de mistério

Até onde consigo enxergar
No lugar onde possa estar
Um século esquecido
Um loquaz enlouquecido
Meu local protegido
Meu silêncio amigo

O relâmpago iluminou a noite
Faço de conta que posso voar
O céu revelou as estrelas
Quero viver mais um dia

Encontrei-me com a esperança
(E ela quis que fosse assim)
Minhas lágrimas pararam de cair
(Ela fez parar a tempestade)
Quero viver mais um dia
Um dia a mais para ser eterno
Cleiton Assis
20 Anos no Claustro - 2003