sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Insano (por Joana M.)

Porque eu sempre fui um pouco meio assim, desordenada, meio latina romântica dessas que colocam a alma como desculpa pela falta de lógica.
Eu sempre fui metade.

Desejei com todo meu coração entender como o amor acontece, alquimista, fiz ensaios e acabei por perder tempo e giz naquelas fórmulas e equações que eu vinha traçando.
Apenas erros.
Não que eu quisesse deixar tudo bonito e regradinho, que nem gosto mesmo de coisa assim, só queria encontrar um caminho, uma expressão exata, que me dissesse o espelho e dona de mim fizesse até chegar perto por onde seu coração seu escondia.
Mas meu erro era banal, um erro primário. Não era bem seu coração que se escondia.

Sabe, eu me esquivei do significado do desistir, quando tudo isso começou eu só pensava que uma hora, a qualquer momento, uma dessas coisas que eu fizesse traria pra mim um amor daquele de sonho acordado, mas não foi assim.
Acordei hoje, tão sozinha, nem o amor pelo amor que eu sentia mais eu tinha, e as paredes todas rabiscadas com números e símbolos que eu não entendia, rimas soltas, futilidades.
Deixei muita coisa passar nesse meio tempo, no meio fio de esperança que eu me agarrei e era tão frágil como uma teia esquecida por aí.

Eu cuidei pra que não quebrasse, cuidei tanto de você e tola, pensei que um dia, meu desejo fosse materializar-se e eu te encontraria, quem sabe mesmo em um sonho onde temos poderes, e você acordaria em fogo, cantante, com o coração cheio de vida.
A fórmula estava errada o tempo todo, nada dali pode se materializar, nenhuma asa que eu construa irá transpor esses muros, ou a tempestade de fogo que ameaça aparecer o tempo todo.

Não existem fórmulas, e não me engane mais quando diz que não existem coincidências.
Cala a boca coração estúpido, fica quieto no seu canto.

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